Um homem passeia com seu cachorro. Nem devagar, nem rápido, só no mesmo e constante passo. O cachorro, não. Anda rápido, acha um poste, ou uma árvore, ou um pedaço de muro, ou qualquer coisa, e pára para dar, com o perdão pela expressão, uma mijada. Na verdade, uma mini-mijada, mais pra demarcar território do que para satisfazer suas necessidades. Ou então, ele não pararia tantas e curtas vezes, certo?
Eu sigo atrás, só olhando.
O homem vai andando, andando. Usa uma blusa roxa, uma bermuda laranja floral, meias pretas. Ridículo, não fosse tão óbvio. O cachorro é minúsculo. Daquela raça meio fofa, meio amedrontadora, cheio de pêlos. Ele corre, fazendo um esforço enorme para acompanhar seu dono e, ao mesmo tempo, parar na maior quantidade de lugares possível para, bom, para dar uma mini-mijada. É cômico ver o homem, que não se importa com o fato da coleira estar atrapalhando a passagem (Ele deixa o cachorro ir andando, é uma daquelas coleiras semi-modernas, que não acabam nunca, mais ou menos que nem fita métrica), andar com um cachorro tão pequeno, dando um 'oi' para os conhecidos na rua.
Acho que ele era careca (O homem, não o cachorro). E acho que ele era preto(O cachorro, não o homem). E acho que os dois, com todas as suas diferenças, eram mesmo diferentes (ah, peguei vocês, acharam que eu ia falar que eles eram iguais, han?). A situação não combinava, de jeito algum.
Era quase tão, não sei, estúpida quanto aquela vez que eu vi duas muçulmanas perguntando o endereço. Fosse na América, achariam que eram mulheres-bomba. No Brasil, eram só duas mulheres fora do contexto. Bom, deixa pra lá, outro dia conto essa história.
A coleira infinita acaba, o homem não pode mais se separar do cachorro, e o cachorro não pode ir para mais longe do homem. Qual dos dois desistirá, e parará, e irá para perto do outro? O homem chama: "Vem cá, meu amor." (reprodução exata, não inventada).
Está explicado. Um cachorro passeia com seu homem.
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Há 3 anos
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