Era uma vez um reino não muito distante, a umas quatro estações de metrô, vinte minutos de carro, o dobro se tiver trânsito. Lá, bruxa se fantasiava de fada, e fada era confundida com bruxa, a gente nunca sabia muito bem em quem confiar. Nada de pombinhas e ratinhos bonitinhos, cantando. Esses eram, no mínimo, nojentos. Os espelhos também não eram falantes, mas não precisavam ser. Só mostravam aquilo que a pessoa quisesse enxergar.
Nesse reino, viviam muitas princesas: loiras, morenas, ruivas, orientais, negras, altas, baixas, magras, gordas, ricas, pobres, mudas, surdas, cegas, falantes, fofoqueiras, discretas, tímidas, extravagantes, de todos os tipos, enfim, mas sempre princesas.
Tais princesas, porém, nunca viajavam de carruagens-abóboras, era meio 'cheguei' demais. Preferiam um chrysler, ou até mesmo uma limosine. Algumas iam de doblô, de ônibus, ou a pé mesmo, mas, ah, deixa pra lá. As princesas também, salvo raras exceções, não voltavam para casa antes da meia-noite, sem medo de virar plebéia. Belas adormecidas? Ha, até parece. Se dormissem até depois do meio-dia, a mãe (mãe, não madrasta... bom, as vezes até era a madrasta) matava. E nem era preciso maçã envenenada. Elas deixavam o sapatinho de cristal de lado, e vestido longo só em ocasiões realmente especiais. Mas, coitadas, não conseguiam deixar de sonhar com o príncipe encantado.
O príncipe, ah, o príncipe. Era perfeito: bonito, quando não lindo, inteligente, invejado, totalmente apaixonado por você, e, olha que bom, você nunca se cansaria de olhar para ele, nem de ouvir ele falar coisas melosas, nada. Quantas não saíam por aí beijando sapos para ver se algum virava príncipe. Só que, coitadas outra vez, na maior parte das vezes, era o príncipe que virava sapo (Para não entrarmos no ramo príncipe vira fantasma, e some). A verdade, meus caros, era simples, mas ninguém enxergava: As princesas eram cheias de defeitos. Os príncipes idealizados, apenas isso, idealizados. Os castelos, cedo ou tarde, cairiam. E, assim como eles, as pessoas, que cairiam, sim, na real. Perceberiam que o melhor da festa é o esperar por ela. E o melhor do platônico é ele não existir. E a Fera, não é tão fera como as pessoas dizem por aí. E o amor, que todas as princesas, bruxas, fadas, sapos, ratos, príncipes, e pombas sonhavam é só isso, e nada mais que isso: o Amor. Que está aonde ninguém vê, e que chega quando ninguém percebe.
Não haveria, naquele reino 'felizes para sempre', que também era mais uma ilusão. Haveria o fim, a esperança de qualquer coisa depois do fim, uma série de clichês, e nada mais.
E, assim, sennhores, a história acaba solta, quem quiser que conte outra.
lee's summit mo hotels motels
Há 3 anos
2 comentários:
Era um texto um pouco diferente, fiz alguma modificações, e não contei quem era a Fera, como alguns, eu sei, esperavam. Fica a cargo da imaginação(;
eu fico impressionada com seus textos
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