domingo, julho 27

Fotos

Uma caixa de fotos está na mesa da sala daqui de casa há, quantos? Três, quatro? Bom, desde terça-feira, façam as contas (sim, meu cérebro vem se derretendo, pouco a pouco). Algumas coisas aconteceram nesse dia, boas e ruins, mas não é delas que quero falar. É, bom, sobre as fotos, que vieram acompanhadas de um all-star tamanho dezenove. Pode até parecer idiota, e, provavelmente, vai, mas aquela caixa é mais do que madeira, papel fotográfico, tecido. Ela trouxe assuntos considerados esquecidos, pessoas que sabe-se lá deus quem são, como estão. Não tem uma pessoa que não pare para ver. Íamos reformar a caixa, mas achamos melhor deixar como estava, do jeito que a pessoa que deu deixou. Minha casa toda é assim. O cobertor de ontem continua no mesmo lugar, dobrado no centro da mesinha, como se ninguém tivesse mexido. As revistas velhas ainda se acumulam nas prateleiras, até que não caibam mais e alguém tenha que trocá-las. O armário amarelo da cozinha, que era a primeira coisa que minha mãe queria mudar quando chegamos no apartamento, ainda é amarelo, com o diferencial de, agora, ser uns treze, catorze anos mais velho. As pessoas são as mesmas, com diferenças sutis, que os outros tendem a supervalorizar e exagerar. Enfim, as coisas vão se acumulando, sendo esquecidas, pra que, um dia aí, a gente resolva 'arrumar' e rever tudo isso. Só tenho um pouco de medo de não estar mais fazendo isso apenas com coisas. Ou com fotos. A propósito, desculpem por não falar mais das ditas cujas.

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