quarta-feira, agosto 6

Fulaninha de tal.

Ela era objetiva: se queria alguma coisa, queria, e pronto. O que não quer dizer que ela não mudava de opinião. Mudava, e muito. Mas, se, naquele minuto, era aquilo que ela queria, ela ia fazer de tudo para ter. Uma roupa, uma caneta, um menino. E, quase sempre, assim que ela conseguia, enjoava. A vida dela era apostas, competições, querer, querer. Ela já foi melhor amiga de praticamente todos. Só não sabia que até as pessoas que mais gostavam dela, também odiavam. Acho que todo mundo sabia que acabaria sendo esquecido. Ninguém nunca teve coragem de assumir, é claro. Milhões de desculpas existiam pra dar um jeito de paracer que ela é que tinha sido abandonada, e não o contrário. Fingir não gostar, era a melhor tática para mantê-la por perto. Não, melhor: Não gostar dela, de verdade. Isso é que ia deixá-la louca. Não que ela tentasse agradar. Nunca tentou, mesmo. Mas ela era assim, sempre queria o que nunca ia ter. Falava gritando, vivia mentindo, mas não se importava. Era sempre exagerada, em tudo: nas alegrias, nas tristezas, nos amores, nos ódios. Ela podia te fazer rir, ou chorar, em segundos. Mas tentar se adaptar a ela era, no mínimo, cansativo (Aí, outra desculpa).Conheci a fulaninha há uns anos. Ela começou como ninguém, virou alguém, e foi embora. (Devo dizer que, pelo menos, ela chegou mais longe do que muitos, incluindo a que vos fala)Como não poderia deixar de ser, a presença dela começou a ocupar muito espaço. Ela não se encaixava ali, não fazia aquele tipo. Ela não era de seguir, mas de lançar moda (Desculpem, foi uma expressão feia, mesmo). Tudo lá a sufocava, eu tenho certeza. Sim, ela volta, de vez em vez, pra mostrar que, não, ninguém a conseguiu destruir. Faz o seu show, constrange um ou outro despreparado, e vai embora, pra achar outros lugares, outras pessoas, outra vida. E, quando ela vai embora de novo, é quase possível ouvir o suspiro de alívio. Ela incomoda. Mas nem adianta tentar evitar toda a situação.Porque ela vai dar um jeito de deixar tudo ainda pior, e para o seu lado.
Ela é Fulaninha de Tal, a que não se deixa esquecer.

Um comentário:

Nathalia Mamede disse...

olha ali, a fulaninha de tal. aaaaah não, aquilo é um espelho!